Quando não sabemos dizer não...


Há quanto tempo eu vinha me procurando

Quanto tempo faz, já nem lembro mais

Sempre correndo atrás de mim feito um louco

Tentando sair desse meu sufoco

Eu era tudo que eu podia querer

Era tão simples e eu custei pra aprender

Daqui pra frente nova vida eu terei

Sempre a meu lado bem feliz eu serei

Eu me amo, eu me amo

Não posso mais viver sem mim!

- Roger Rocha Moreira


Direcionamento para o outro


Gosto muito desta canção escrita pelo Roger, a letra narra um processo de procura externa, que culmina no entendimento de que o autor já tinha internamente tudo o que era preciso, e que estando ao seu lado poderia ser feliz. Esta descoberta exposta na canção, abre margem para uma importante reflexão, sobre a forma como construímos nossa autoestima e explica a dificuldade de muitas pessoas em dizer não. Isto porque, quando dependemos da validação do outro para formar a imagem que temos sobre nós mesmos, tendemos a nos focar em excesso em atender a necessidade alheia em detrimento da nossa própria necessidade.

Este comportamento voltado para o outro, para os desejos alheios, tende a gerar uma raiva inconsciente relacionada a um sentimento de abuso e abnegação. De forma inconsciente, fazemos isto para obter aprovação, manter a conexão emocional e evitar retaliações.

O psicólogo e pesquisador Jeffrey E. Young, em sua teoria sobre a Terapia dos Esquemas, afirma que este comportamento tende a ser adotado em virtude de experiências que ocorreram na infância, quando a dinâmica familiar impôs um amor condicional e desta forma criou-se o hábito de restringir partes importantes de si mesmo para obter aprovação alheia. Ou mesmo, famílias em que não havia estabilidade e segurança, e diante da sensação de vulnerabilidade adotou-se um comportamento de restrição as próprias inclinações.

Young, aponta que esta estrutura familiar onde os país favorecem as próprias necessidades em detrimento das necessidades dos filhos, pode promover a ativação de três diferentes vilões da mente, que geram na vida adulta, esta dificuldade em priorizar a própria vontade. São eles:

  • Subjulgação: Entrega excessiva de controle a outros indivíduos, por sentir-se coagido e enxergar a necessidade de evitar a raiva, a retaliação e o abandono. Consiste em suspensão das próprias preferências e desejos, supressão das emoções - em especial da raiva e uma percepção de que as próprias necessidades ou sentimentos não são válidos ou importantes. Resulta em obediência excessiva ou avidez em agradar o outro, o que também pode gerar raiva, sentimento de prisão, explosões e descontroles, sintomas psicossomáticos e distanciamento afetivo;

  • Autosacrifício: Cumprem voluntariamente as vontades alheias, para poupar o outro de sofrimento, evitar a culpa e ganhar a autoestima ou manter uma relação com alguém que consideram carente. Sensibilidade intensa ao sofrimento de terceiros, que pode se sobrepor a co-dependência. Resulta na sensação de que os próprios sentimentos;

  • Busca de aprovação e reconhecimento: Almejamo reconhecimento e a aprovação de outras pessoas em detrimento de um "self" genuíno e seguro. Sua autoestima depende das reações alheias, em lugar de suas próprias. Por este motivo, tem uma enfase exagerada em aparência, dinheiro, status e sucesso, como forma de obter reconhecimento. Resultando em tomada de decisões importantes que não são autênticas e satisfatórias.

A dica para sair deste ciclo de frustração e autossabotagem, é começar a observar suas necessidades e dar mais importância a elas. Além disto, ao tomar uma decisão, é importante que observe se esta fazendo isto por você ou para atender as necessidades de outra pessoa e receber aprovação.

Investir em autoconhecimento, identificando as suas características genuínas, suas competências e virtudes te conectará a sua essência e desta maneira você se tornará cada vez mais capaz de fazer escolhas autênticas e alinhadas a sua verdade interior.

Acredite, as pessoas são capazes de te amar e te aceitar mesmo quando você não estiver sempre na posição de servidor, negando a si mesma. Na verdade, pela prática, posso afirmar, que as pessoas tendem a respeitar mais as pessoas que tem autorrespeito e autoestima, isto porque, é em nós que o amor começa.

Eu que queria tanto ter alguém Agora eu sei sem mim eu não sou ninguém (Trecho da canção Em me amo do Ultrage a Rigor)

Pra fecharmos este papo, quero te incentivar a ouvir a canção Eu me amo do Ultrage a Rigor e refletir sobre os primeiros passos que você pode dar rumo a construção de uma vida mais livre e autêntica.

Em amor,


#VilõesdaMente #DirecionamentoParaoOutro #Subjulgação #TerapiaDosEsquemas

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