Os remédios florais do Dr. Bach

Atualizado: Ago 25



Não há nada de acidental no que diz respeito à doença, nem quanto ao seu tipo nem quanto à parte do corpo que foi afetada; como todos os outros resultados da energia, ela obedece à lei de causa e efeito. _ Dr. Edward Bach


A origem e o propósito das doenças

Já compartilhei anteriormente, no artigo “Como a Terapia Floral Funciona”, um pouco sobre essa terapia complementar que tem se perpetuado por décadas e a história do seu criador, Dr. Edward Bach. Neste artigo quero apresentar uma breve resenha da obra “Os Remédios Florais do Dr. Bach”, da editora Pensamento. Trata-se de uma compilação das obras “Cura-te a ti mesmo” e “Os doze remédios”, ambas do Dr. Bach.

O clássico “Cura-te a ti mesmo” apresenta toda a filosofia que impulsionou os estudos do Dr. Edward Bach e seu empenho em criar os doze remédios florais. É um chamado a um novo olhar sobre o que são, de fato, as doenças e a necessidade de um despertar por parte dos médicos em relação à importância da compreensão da alma humana e das leis do Universo, de modo a considerar os seres humanos de forma integrada e atuar também de forma preventiva.

É importante considerar, que busquei ser fiel ao livro ao compor esta resenha, e que ao apresentar seus estudos, Bach os permeia com suas crença religiosas pessoais, que podem divergir em alguns pontos da minha ou da sua visão. No entanto, quero pontuar que existe um ponto central nos estudos médicos de Bach que é o que de fato me interessa enquanto terapeuta, que é a relação das doenças com fatores emocionais e a contribuição que o tratamento emocional pode trazer ao nosso corpo físico.

Os Remédios Florais do Dr. Bach” (19a ed.). Edward Bach. Tradução: Alípio Correia de Franca Neto. São Paulo: Editora Pensamento, 2006.


A obra se propõe a revelar a verdadeira origem das doenças, de modo a contribuir com a autocura e com os prestadores de serviços na área da saúde humana para que tenham mais recursos no atendimento aos seus pacientes através de um conceito revolucionário, não apenas para o tempo do Dr. Bach, mas ainda nos tempos atuais. Isto porque, para o Dr. Bach, o fracasso da medicina moderna está em tratar os efeitos das doenças (sintomas) em detrimento das causas (motivos, origens), e sua metodologia visa justamente tratar a origem da doença para que, então, os sintomas desapareçam.

A doença nunca será curada nem erradicada pelos métodos materialistas dos tempos atuais, pelo simples fato de que, em suas origens, ela não é material. (...) Em essência, a doença é o resultado do conflito entre o Espírito e a Mente, e ela jamais será erradicada exceto por meio de esforços mentais e espirituais. _ Dr. Edward Bach

Para Bach, as doenças são, na verdade, um efeito produzido no corpo por questões da mente e do espírito, ou seja, elas estão relacionadas a pensamentos e emoções e seu efeito produzido no corpo – ao qual nomeamos de doença, que é apenas um produto final desse processo. Portanto, combater o sintoma de uma doença, sem tratar a sua causa, resultará na sua recorrência ou na manifestação de outras doenças, se a emoção que deu origem a ela não tiver sido tratada. A doença é, portanto, um sinal de alerta, uma oportunidade de autoaprendizado que nos conduz a um olhar atento sobre a forma como temos lidado com as circunstâncias e o efeito que elas têm produzido em nós. A cura, por sua vez, estaria na conscientização do paciente acerca das forças mentais e espirituais que deram origem à doença física para que ele possa se empenhar em neutralizar essas forças recuperando, assim, a sua saúde. Em outras palavras, a manifestação física da doença seria na verdade uma grande oportunidade de evolução espiritual e emocional.

Essa é a cura verdadeira, e ela se deve ao fato de se ter atacado a praça forte, o fundamento real do sofrimento. _ Dr. Edward Bach

Quem somos nós


Bach cita recorrentemente o trabalho do homeopata alemão Dr. Christian Friedrich Samuel Hahnemann, que foi seu precursor e compreendia que as doenças tinham origem em um plano acima do físico, como Bach também acreditava. Bach defendia cinco verdades fundamentais, a saber:


  1. Somos seres Espirituais: O homem é um ser espiritual, filho do Criador de todas as coisas. Desse modo, todos nós, seres humanos, somos uma centelha do divino e estamos todos neste mundo com uma missão. Em nosso espírito habitam a Sabedoria, o Amor, a Unidade e a Direção;

  2. Temos uma Alma: Todos os seres são dotados de uma personalidade (mente, razão, psique) e estão presentes na Terra para buscar o autodesenvolvimento, resgatando a sua verdadeira natureza espiritual;

  3. Somos Eternos: Como seres espirituais, todos nós somos eternos, e o tempo de vida na Terra é, portanto, apenas uma passagem temporária que não define nem o começo, nem o final de nossas existências;

  4. É preciso harmonia entre Espírito e Alma: A paz, a alegria, a felicidade e a saúde resultam da harmonia entre Espírito e Alma. No entanto, quando a personalidade está presa ao ego e desconectada da existência espiritual, iniciam-se os conflitos. Essa desconexão entre alma e espírito tem origem nos equívocos das ambições humanas que nos assediam e desviam do foco, assim como na influência que sofremos de terceiros;

  5. Existe uma Unidade entre todas as coisas: Todas as coisas são interligadas, e existe uma Unidade indivisível na existência e tudo que existe foi criado pelo Amor em suas diferentes manifestações, seja uma gota de orvalho, um planeta ou o homem.

Ao explicar esta última verdade essencial sobre a Unidade de todas as coisas, em um Universo único criado por Deus, o Dr. Bach utiliza uma metáfora tão simples, quase infantil, que é ao mesmo tempo tão profunda e poética que decidi transcrever aqui:

(...) a compreensão de que o Criador de tudo o que existe é o Amor, e de que tudo aquilo que temos consciência é, em seu infinito número de formas, manifestação desse Amor, seja ele um planeta ou um seixo, seja uma estrela ou uma gota de orvalho, um homem ou a forma mais elementar de vida. É possível ter um vislumbre dessa concepção se imaginarmos nosso Criador como um grande e brilhante sol de bondade e amor, de cujo centro um infinito número de raios se lança em todas as direções, e que nós e todas as coisas das quais temos consciência somos partículas ao fim desses raios, emitidas para que possam adquirir experiência e conhecimento, mas para, no final, retornar ao grande centro. E, posto que para nós cada raio possa parecer como algo separado e distinto dos outros, na realidade ele faz parte do grande Sol que existe no centro. A separação é impossível, pois tão logo um raio de luz seja destacado de sua fonte, ele deixa de existir. Dessa forma, temos uma pequena noção do que significa essa impossibilidade de separação e, ainda que cada raio possa ter a sua individualidade, ele, apesar disso, faz parte do grande centro gerador de forças. Assim, qualquer ação contra nós próprios ou contra uma outra pessoa afeta o conjunto porque, causando imperfeição numa parte, isso se reflete no todo, do qual toda partícula deve chegar finalmente à perfeição. _ Dr. Edward Bach


A verdadeira doença


Ao considerarmos que somos seres espirituais (divinos), que temos uma personalidade (psique) e que pertencemos à Unidade do Universo, o Dr. Bach compreendeu que a verdadeira doença consiste na falta de harmonia entre estes três elementos: Eu Espiritual, Eu Psíquico e a Unidade. As doenças são, portanto, nossos erros de pensamentos, de emoções e comportamentos que têm duas origens:

  • Dissociação entre o Eu Espiritual e o Eu Psíquico: Contrariedade interna, fracasso em honrar e seguir os ditames interiores, os mandamentos da própria alma que são ditados pela consciência, pelo instinto e pela intuição. Ação contrária à Lei do Amor;

  • Dissociação do Eu Espiritual/Psíquico com os outros Seres: A crueldade ou a falta para com os outros, visto que são pecados que se comete contra a Unidade, por meio do egoísmo que é, justamente, a ausência do senso de “nós”. Ação contrária à lei da Unidade. Portanto, o que conhecemos como doença – o mal-estar, a enfermidade (a manifestação física) – é apenas um estágio final de um distúrbio interior mais profundo, de um erro de comportamento. Desse modo, a compreensão da origem de um sintoma físico será um guia para que se identifique o tipo de ação que se está praticando contra a Divina Lei do Amor e da Unidade. Por fim, as doenças reais dos homens são, conforme transcrição dos ensinos do Dr. Bach:

  • Orgulho: Incapacidade de reconhecer a pequenez da personalidade humana e sua absoluta dependência espiritual e dificuldade de aceitar que todas as vitórias não se devem à personalidade, mas às bênçãos divinas. Perda do senso de proporção, da noção de quanto se é insignificante diante do complexo arranjo da Criação. Como o orgulho se mostra invariavelmente relutante em se curvar com humildade e resignação à vontade do Grande Criador, ele pratica ações contrárias a essa vontade. Sendo embasado em arrogância e rigidez mental, o orgulho despertará doenças que ocasionarão a rigidez e a ancilose do corpo;

  • Crueldade: Uma negação da Unidade de todas as coisas e uma incapacidade de se compreender que toda ação adversa para o outro está em oposição ao todo e é, portanto, uma ação contrária à Unidade. Segundo a lei da Unidade, temos de amadurecer até entendermos que cada um, como uma parte do todo, deve se tornar próximo de nós e querido por nós, e que até mesmo àqueles que nos molestam só devemos lhes dedicar amor e compreensão. A crueldade promove dor física, por exemplo, o coração, a fonte da vida e, portanto, do amor, é atacado especialmente quando o lado amoroso da natureza do indivíduo para com a humanidade não é desenvolvido ou é utilizado de modo errado;

  • Ódio: Contrário ao Amor, reverso da Lei da Criação. Conduz a pensamentos e a ações que são adversos à Unidade e contrários àqueles que seriam prescritos pelo Amor. É revelado pelo isolamento, o temperamento violento e incontrolável, as perturbações mentais e os estados de histeria. Relacionado às doenças decorrentes da introspecção – como neurose e neurastenia;

  • Egoísmo: É também contrário à Unidade e ao dever que temos para com nossos irmãos humanos, pois faz com que coloquemos nossos interesses pessoais antes do bem-estar da humanidade, do carinho e da proteção que deveríamos dedicar aos que estão perto de nós. O egoísmo produz estados semelhantes ao ódio, afetando a alegria;

  • Ignorância: É o fracasso em aprender, a recusa em ver a Verdade quando se tem a oportunidade para tanto, conduzindo a muitos atos errôneos que só podem existir em meio à escuridão, pois não podem resistir quando está a rondar-nos a luz da Verdade e do Conhecimento. A ignorância e a falta de sabedoria criam dificuldades na vida cotidiana, podendo causar miopia e outras deficiências visuais e auditivas como consequência natural;

  • Instabilidade: Indecisão e falta de determinação ocorrem quando a personalidade se recusa a ser governada pelo Eu Superior (natureza espiritual, divina) e nos leva a atraiçoar os outros devido à nossa fraqueza. Semelhante condição não seria possível se tivéssemos dentro de nós o conhecimento da Imbatível e Invencível Divindade, que é, na realidade, nós mesmos. A instabilidade da mente pode acarretar no corpo a mesma característica, como as várias funções que afetam os movimentos e a coordenação motora. A mão lesada, por exemplo, denota falha ou erro na ação, enquanto o cérebro, sendo o controle do corpo, se afetado, indica uma falta de controle na personalidade;

  • Ambição: Conduz ao desejo de poder. É uma negação à liberdade e à individualidade de toda a Alma. Em vez de reconhecer que cada um de nós está aqui para se desenvolver livremente segundo as próprias diretrizes e em conformidade com os ditames da própria Alma, para aumentar cada vez mais sua individualidade e trabalhar com liberdade e desenvoltura, a personalidade ambiciosa se compraz em ditar ordens, conformar (moldar) tudo à sua vontade e comandar, usurpando o poder do Criador. As consequências da ambição e da vontade de dominar os outros são aquelas doenças que levam a quem delas sofre a ser escravo do próprio corpo, com os desejos e ambições refreados pela enfermidade. São nossos vícios emocionais, ou o que os teóricos do eneagrama da personalidade chamam de “paixões do ego”, que geram conflito entre espírito e alma, resultando em enfermidade. Em outras palavras, são os pecados que cometemos contra nós mesmos e contra os outros que nos adoecem.

O caminho de cura

O caminho de cura não está no combate ao erro, mas no desenvolvimento da virtude oposta; conforme se desenvolve a virtude oposta, o erro é enfraquecido. Desse modo, torna-se fácil compreender que a conexão com o Amor e a compreensão da Unidade são caminhos de cura interior e consequentemente física. Este processo de evolução consiste, portanto, na reconexão com as virtudes divinas – quanto mais conectado ao seu Eu Divino um indivíduo estiver, mais terá desenvolvido comportamentos positivos que irão favorecer a sua saúde física.

À medida que abandonarmos o egoísmo e ampliarmos o senso de nós, deixando de lado interesses autocentrados e preferindo servir a humanidade, estaremos conectados à lei da Unidade. Nosso espírito naturalmente busca pelo desenvolvimento e expansão das virtudes do Amor, pois ele é justamente essa conexão com o Amor original – a centelha do Divino em nós. Logo, o processo de conexão com o Amor é, na verdade, um processo de reconexão, de reencontro, e quanto mais nos aproximamos do Divino em nós, mais nos afastamos das limitações do nosso ego.

A maior conquista de todos será sempre através do amor e da bondade, e quando tivermos desenvolvido suficientemente essas duas qualidades, nada será capaz de nos atacar, já que teremos sempre compaixão e não ofereceremos resistência; pois, repetindo, segundo a lei de causa e efeito, é a resistência que causa o dano. Nosso objetivo nesta vida é obedecer aos desígnios de nosso Eu Superior, sem nos deixarmos deter pelas influências dos outros, e isso só pode ser conseguido se seguirmos calmamente nosso caminho e, ao mesmo tempo, se nunca interferirmos na personalidade dos outros, nem lhe causarmos o menor dano por nenhuma forma de crueldade ou ódio. Devemos nos esforçar para aprender a amar os outros, começando talvez por um indivíduo ou até mesmo por um animal, e deixar que esse amor se desenvolva e se estenda numa esfera cada vez maior, até que os defeitos contrários a ele automaticamente desapareçam. Amor gera amor. _ Dr. Edward Bach

Portanto, os caminhos de cura para as verdadeiras doenças segundo o Dr. Bach são:

  • Orgulho e Ambição: Devemos compreender que todo ser está aqui para evoluir segundo os desígnios da própria Alma, e exclusivamente dela, e que cada um de nós nada mais deve fazer que encorajar o irmão a prosperar. Devemos ajudá-lo a ter esperança e, se estiver ao nosso alcance, a ampliar o seu conhecimento e suas experiências terrenas para que possa progredir. Assim como gostaríamos que os outros nos ajudassem na subida íngreme e difícil da vida, estejamos também sempre prontos a estender uma mão amiga e a repartir a nossa experiência, produto de um aprendizado mais amplo, com um irmão mais jovem ou mais fraco. Tal deveria ser a atitude do pai para com o filho, do mestre para com o aluno ou do amigo para com o outro amigo, dedicando tanto carinho, amor e proteção quanto necessitam, sem que, nem por um momento, se interfira na evolução natural da personalidade alheia, já que esse aperfeiçoamento deve ser ditado pela Alma. Permitam aos outros a liberdade, da mesma forma que esperam que ela lhes seja dada

  • Crueldade e Ódio: Desenvolver a compaixão para com os nossos semelhantes, essa qualidade fará com que a crueldade seja impossível de uma vez por todas, pois evitaremos tal ação com horror graças ao nosso sentimento de comunhão para com o próximo. Nesse caso, não há nenhuma supressão, nenhum inimigo oculto que possa investir quando tivermos baixado a guarda, porque nossa compaixão terá eliminado completamente de nossa natureza a possibilidade de qualquer ato que possa magoar os demais;

  • Egoísmo: Dirigir para fora, para os outros, o carinho e a atenção que devotamos a nós mesmos, tornando-nos tão absorvidos em proporcionar-lhes bem-estar que nos esquecemos de nós mesmos nesse empenho. Como diz uma grande regra da Fraternidade, “É preciso buscar o conforto para os nossos tormentos levando consolo e alívio aos nossos semelhantes na hora da sua aflição”;

  • Ignorância: É preciso que não tenhamos medo da experiência, mas, com a mente alerta, os olhos bem abertos e os ouvidos atentos, aproveitemos todo o conhecimento que possa ser adquirido. Ao mesmo tempo, precisamos nos manter flexíveis no pensamento, para que ideias preconcebidas e convicções anteriores não nos privem da oportunidade de adquirir novos e mais amplos conhecimentos. Devemos estar sempre prontos a expandir a mente e a abandonar qualquer ideia, por mais arraigada que ela esteja, se, encontrando-nos numa experiência mais ampla, uma verdade maior se revelar;

  • Instabilidade: Desenvolvimento de autodeterminação, fortalecendo a mente e agindo com firmeza, em vez de ficarmos detidos na hesitação e na dúvida. Mesmo que possamos cometer erros no começo, sempre é melhor agir do que perder uma oportunidade devido à indecisão. A determinação em breve crescerá; o medo de se lançar na vida desaparecerá e as experiências adquiridas conduzirão nossas mentes a um maior discernimento.

A fé, o otimismo e a alegria são elementos que também trazem alívio para a doença e contribuem com o tratamento médico.


Coerência Interna


O Dr. Bach aponta a importância da individualidade e da coerência interna, ou seja, a importância de que cada um viva segundo sua natureza interior, seguindo sua vocação, empregando suas paixões, e alerta que muitos de nós estão cedendo a pressões externas e contrariando sua verdadeira natureza, gerando incoerência interna – dissociação entre espírito e alma, que é um funcionamento desarmônico e, dessa forma, consiste em uma doença que cedo ou tarde se manifestará no corpo.

(...) A nenhum de nós nesta terra se pede que faça mais do que está em seu alcance fazer, e se nos esforçarmos para obter o melhor de nós próprios, guiados sempre por nosso Eu Superior, a saúde e a felicidade nos serão possíveis. _ Dr. Edward Bach

É preciso estarmos atentos, pois o nosso desejo de ajuda deve ser proveniente de intenções verdadeiras e genuínas para não cairmos nas armadilhas e nos enganos da subjugação ou da manipulação alheia, usando a “aparência do amor” para atrairmos aplausos, para criarmos dependência emocional e gerarmos culpa no outro afim de que façam o que e como queremos que seja feito.

O Dr. Edward Bach, em sua experiência como médico, cita, inclusive, que muitos pais se tornam inválidos, forçando seus filhos a desperdiçarem suas vidas e mergulharem no sofrimento dedicando-se ao trabalho de cuidadores pelo senso de dever para com os pais, quando a verdadeira origem de suas doenças é uma necessidade absurda de atenção.

Que se reflita sobre quantos homens e mulheres foram impedidos de realizar alguma grande obra para a humanidade devido ao fato de suas personalidades terem sido dominadas por algum indivíduo de quem eles próprios não tiveram coragem de se libertar; sobre as crianças que precocemente descobrem e desejam seguir sua vocação e, por problemas circunstanciais, pela persuasão alheia e pela falta de determinação, vão parar em algum outro ramo da vida, onde não são nem felizes nem capazes de desenvolver sua evolução, caso contrário poderiam estar fazendo. _ Dr. Edward Bach

Ele orienta que o papel dos pais e dos mestres é o de serem instrumentos para capacitar o indivíduo a estabelecer o seu contato com o mundo para o bem da evolução, guardando-o em seus primeiros anos de vida com orientações mentais, físicas e espirituais de modo que, sejam eles filhos ou alunos, possam trilhar seu próprio caminho individual segundo os desígnios do seu espírito, sendo livres para tanto. Não deveria ser esperado nada em troca da paternidade.

(...) A independência, a individualidade e a liberdade devem ser ensinadas desde o começo, e a criança deve ser estimulada o mais cedo possível na vida a pensar e a agir por si mesma. _ Dr. Edward Bach

Dr. Bach orienta ainda que os pais devem refrear qualquer desejo de conformar a jovem personalidade de seus filhos às suas próprias vontades e ideias, recusando-se a dominar de forma indevida ou mesmo de pedir favores gerando a ideia de culpa ou obrigação. O desejo de moldar, controlar ou obter serviço dos filhos seria, portanto, uma forma de ambição que torna os seres humanos uma espécie de vampiros.

A recomendação do Dr. Bach é de que nem por um momento seja permitido o domínio de outra personalidade sobre a nossa, de modo que o nosso único dever seja obedecer aos desígnios de nossa própria consciência.


O zelo pelos animais


À medida que o Amor e o senso de Unidade são incorporados, a compreensão de que a Criação como um todo deve ser preservada e respeitada é ampliada. O Dr. Bach criticava a vivissecção de animais, o transplante de glândulas animais e o sacrifício animal para práticas de magia negra. Ele ressaltava que são nossos erros que geram as nossas doenças e que estamos gerando sofrimento a criaturas divinas, fazendo com que elas paguem pelos nossos erros. Para ele, a violência contra os animais consiste em um pecado contra a Unidade e contra o Criador.

O sistema de medicina


O Dr. Bach aponta que, por fins econômicos, o sistema de medicina exige o atendimento de muitos pacientes em um só dia com consultas rápidas, não permitindo ao médico empenhar-se em um tratamento tranquilo e sossegado.

Também cita a importância de uma medicina preventiva, que considere uma dieta equilibrada, o equilíbrio da mente, a saúde espiritual e a melhoria da qualidade de vida. E reforça novamente o trabalho de homeopatia de Hahnemann como a aurora da arte de curar.

Ele vislumbrava que, na medicina do futuro, a cura não seria mais construída por métodos físicos de tratamento do corpo, mas se expandiria para uma cura mental e espiritual e que através do resgate da harmonia entre Espírito e Alma se tornaria possível erradicar as doenças. Assim, ele compreendia que os objetivos principais de um médico são:

1. Ajudar o paciente a alcançar um conhecimento de si mesmo e apontar-lhe os erros fundamentais que ele possa estar cometendo contra o Amor e a Unidade;

2. Ministrar remédios naturais que ajudem o corpo físico a recobrar a força, auxiliando a mente a serenar.

O exercício da medicina seria, portanto, consequência de um profundo conhecimento da humanidade e das leis inalteráveis do Universo, conduzindo os indivíduos a viverem em coerência com estas leis.


Como podemos ajudar a nós mesmos?


O Dr. Bach nos ensinou que uma personalidade sem conflito é imune à enfermidade e que, portanto, um caminho de prevenção ou cura de doença é reestabelecer a harmonia consigo mesmo, com o outro e com o Universo. Entre as principais dicas que apresenta em sua obra sobre como construir esta harmonia estão:

  • Exame da consciência: Um honesto exame da consciência nos revelará nossos erros;

  • Buscar conselheiros: Amigos íntimos, conselheiros espirituais podem ajudar no autoconhecimento;

  • Meditação: O pensamento sereno gera uma atmosfera de paz capaz de nos conectar à nossa consciência e intuição e de nos guiar segundo as nossas vontades, uma vez que nos ajuda a sentirmos nós mesmos. Nesses momentos, as respostas para os problemas difíceis da vida surgem e nos tornarmos capazes de decidir com segurança;

  • Ter gosto pela vida: Olhar a existência não meramente como um dever a ser cumprido com tanta paciência como possível, mas desenvolver uma verdadeira alegria na aventura de nossa jornada por este mundo, resgatando uma satisfação interior que independe de estímulos externos, mas antes resgatando a compreensão de nossa missão individual no mundo e o prazer da contribuição social (transcendência);

  • Desenvolver a curiosidade: Estudar, aprender com nossos semelhantes, com os fatos da vida, observar a verdade oculta por trás de todas as coisas. Extrair de cada situação oportunidade de investigação e aprendizado;

  • Ajudar ao próximo: Aproveitar as oportunidades do percurso para contribuir com os companheiros de jornada;

  • Pôr de lado o medo: Considerar que a centelha divina dentro de nós é invencível e imortal e que, portanto, a simples consciência disto conduziria ao entendimento de que, como filhos de Deus, não temos nada a temer. A preocupação com os bens materiais, com a conquista de posses e títulos é um grande gerador de medo, assim como a preocupação com doenças. No entanto, se estivermos imersos na Unidade, preocupados com o todo, seremos libertados desses medos. Não foque os riscos de doença, não pense demais sobre isto. Não se preocupe tanto com posses materiais, saiba que o medo é na verdade um distanciamento do Criador e que ao nos aproximarmos dele lançamos fora o medo;

  • Banho frio e pouco sabão: O uso de água excessivamente quente nos banhos abre os poros e permite a entrada de sujeira. O uso excessivo de sabão torna a pele pegajosa. A água fria ou morna é, portanto, a opção mais saudável para o banho, utilizando apenas a quantidade necessária de sabão para remover a sujeira;

  • Limpeza interna: Depende da dieta. É importante escolher alimentos limpos, saudáveis e tão frescos quanto possível, principalmente as frutas naturais, vegetais e nozes. O consumo de carne origina diversas toxinas no corpo e estimula o apetite excessivo, e, portanto, também deveria ser evitado. Beber muita água, vinhos naturais e sucos naturais, evitando bebidas destiladas. Ter um sono restaurador, porém não excessivo. Todos esses são hábitos importantes na manutenção da saúde;

  • Usar roupas leves: As roupas devem deixar o ar chegar até o corpo e permitir a exposição à luz do sol e ao ar fresco;

  • Banhos de água e de sol: Banhos de água e de sol são fontes de saúde e de vitalidade;

  • Alegria: Em todas as coisas a alegria deve ser estimulada, lembrando que a dúvida e a depressão não fazem parte de nós, pois nossa alma originalmente só conhece alegria e felicidade;

  • Paz e Serenidade: A paz deve crescer dentro de cada ser humano até que seja a característica mais marcante, imaginando a mente como um lago tranquilo e sem ondulações, o que vem do fortalecimento espiritual;

  • Desenvolver a individualidade: Libertar-se de toda influência externa, obedecendo unicamente os desígnios da alma. Conquistar a liberdade de maneira absoluta e completa.

O Dr. Bach encerra a referida obra afirmando que a vitória sobre a doença depende de quatro princípios. São eles:

  1. Compreensão da Divindade que existe dentro de nós;

  2. Conhecimento da causa básica da doença;

  3. Compreensão de nossa habilidade para descobrir a falta que está causando o conflito;

  4. Remoção do defeito, desenvolvendo a virtude oposta.


Os doze remédios e outros remédios


Por fim, na obra Os doze remédios e outros remédios, o Dr. Bach apresenta os remédios florais disponíveis na natureza que devem ser aplicados como ferramenta de suporte ao desenvolvimento da virtude oposta ao erro que está originando a doença. Deste modo, é necessário observar a mente e as mudanças no comportamento para que se saiba qual o remédio adequado a ser ministrado de modo a prevenir a doença ou promover a cura.

O humor dos pacientes também serve de evidência para que se saiba qual medicamento ministrar.

(...) a Providência colocou na natureza recursos capazes de prevenir e de curar as enfermidades, como ervas, plantas e árvores divinamente enriquecidos. _ Dr. Edward Bach

Em um próximo artigo, pretendo compartilhar com vocês quais são os remédios florais, como são segmentados e qual a aplicação de cada um deles.

Por hora, a dica é: observe seu corpo e o que ele diz sobre como você se sente e sobre as coisas que você realmente precisa!


Querido(a) leitor(a), sua contribuição é mais do que especial - é essencial!

Caso tenha dúvidas sobre este assunto ou queira compartilhar algum insight ou observação gerado a partir da sua leitura, fique à vontade para me escrever no espaço dos comentários abaixo. Será um prazer interagir com você!


Em amor,


#floraisdebach #dredwardbach #curateatimesmo #origemdasdoenças #medicinapreventiva #terapiaalternativa #terapiapreventiva

© Todos os direitos reservados à Carla Rabetti | VIDA AUTÊNTICA.